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Mostrando postagens de outubro, 2013

Recordação

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Queria eu saber os teus augures, E te colocar na palma da mão. Queria saber fingir que a dor do tempo não me esfacela e faz sofrer. Queria eu colher as tuas lágrimas, e em outro tempo atrás; Conhecer-te e conquistar-te. Quizera eu que tu não existisse, Para eu por fim pensar em existir.

A vinha do diabo

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A menina acordou,  E foi-se para a vinha e orou. Caiu e sonhou. A menina acordou , e foi-se para a vinha e se embriagou, E depois curvou-se ao redentor. A menina acordou e foi-se para a vinha, E viu o diabo para as bandas de lá. A menina acordou, e da vinha nunca mais voltou.

Ponteiros

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Rodopiam os ponteiros, e a tua fala não parece cessar. Germinam as sementes, joga-se o presente, e a menina continua a brincar. Teus lábios se movem, uma lágrima escorre, para a tua face molhar. Ah se soubesse que quando o ritmo do ponteiro fenece, eu desejo contigo ficar.

Em tua Alma

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Seja na tua alma, Seja no teu ventre, O teu sorriso agora sumiu. Viriu, triste e gelado, Tal qual a ode de um bardo, que por sua dor está a chorar. Abre os teus olhos e esquece o ódio que o mundo lançou ao teu coração Prepara-te para a estação, pois o céu está a desabar.

A Morte

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Lembra-se do Tempo? Do tempo da gente? O Tempo infinito? Não lembra? Não lembra por que não viveu, não sorriu e nem sofreu, Agora a morte bate ai fora, corre pra dentro! Pensa que a morte é um animal? Não grita! fala baixo! Ela escuta, te cutuca e faz chorar. Ajoelha aí e ora ao tempo só ele pode ajudar, Vou abrir a porta, e ele vai chegar, Não corre, não grita, e nem foge mais, Ele vai te ajudar.

A fé

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Quando dobra-se o joelho, dobra-se a lingua, A lingua, é santa, santa até morrer,  Dentro da boca da menina sabe bem se esconder. A fé é semente, semente do invisível, do insensível e enefável querer, Por falar em querer, já não quero a fé. Fé é um louco, um surto do doido, que não fez por querer. Mas, tenho fé. Tenho fé no padeiro, na vizinha faladora e nos olhos da sonhadora que sempre irá brilhar.

Perdeu-se o Tempo

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Perdeu-se o Olhar. Perdeu-se. Exacerbado, sonolento, Caminhante, Perdeu-se dentro de si mesmo. Era agora, talvez nunca, ou o nunca seja uma aposta. O nunca é suave, escorre na garganta e prende-se aos teus pés. É insuficiente, devora a gente, Mas, o nunca cabe no bolso, na sola do sapato e na lágrima da menina. Lembro de um tempo, tempo em que carregava uma mochila, E na mochila carregava o tempo. Vi ele cair e quebrar-se em mil pedaços. Pobre tempo, se estivesse na mochila, Não terias quebrado.

A Queda

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Canta! Canta! Aos quatro cantos da terra. Viva a Logística, a republica e ao sangue do César. Exalta! Exalta essa tua guerra, que por em trato de miséria a fazes surgir. Louvai, Louvai ao Olimpo, ao Saturno fundido ou ao Carpinteiro pregador. Lamenta, Lamenta a fenda, que abre-se na consciência, do jactoso conquistador.

A Menina da Esquina

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É no verde dos teus olhos e na segurança de seus braços que se perde o pudor. Lá na esquina, na esquina do meu pensamento, que teu olhar perdeu-se no vento. De cara limpa e alma suja, atravessava a rua, com um certo lamento. Não se sabe se é menina ou mulher, talvez um pensamento de um homem qualquer. Mas ela teve na esquina, triste e sombria, como aquela tal alegia que tira do poeta o respirar. Agora ela vai embora, como um sonho que evapora, de uma noite qualquer.